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Entropia dos Filtros · Bando 07

O Dia da Prova.

Ciclo 1.448 · O Pulmão de Nathanael

O silêncio em Nathanael não era ausência de som. Era pressão.

Jackson Lamgruber acordou antes do alarme, com o biochip vibrando na base do crânio e o gosto doce da Aragem Mansa colado no fundo da garganta.

Ele vestiu o macacão de cadete ainda sentado. A barra da calça parava acima do tornozelo e as mangas puxavam nos pulsos. Não era porque Jack tivesse crescido muito. Era porque, aos doze anos, a Base já esperava que uma criança coubesse em roupa de trabalho.

No chão do cubículo, Elias tossiu.

A tosse saía dele sem força humana. Vidro moído dentro de um saco de carne. Elias tinha sido Peão de Filtro por anos: um dos trabalhadores que entravam nos pulmões industriais da Torre para raspar crosta química, trocar membrana saturada e sair carregando no corpo o que a cidade não queria respirar.

Martha empurrou uma caneca de pasta cinzenta para as mãos do marido sem olhar. Seus olhos tinham a paz baça dos sedados.

— Bebe, Elias — ela disse. — Reclamar consome ar.

Jack ajustou a máscara integral. O visor cobriu olhos, nariz e boca; as presilhas travaram sob a mandíbula. Até afeto precisava passar por borracha, filtro e ruído.

O caminho até o Centro de Treinamento atravessava a Base como uma ferida mal fechada. Corredores estreitos pingavam óleo; cabos corriam pelas paredes como veias expostas; neon barato tremia sobre poças de condensação escura.